quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Picar o Cartão


Picar o cartão
De Natal;
Exercer o amor
Automático.
Se fosse além,
Mas não!
Picar o cartão comum
- Dia comum -
Fim do expediente!

23:59

Ora veja, quem despertou
Mais uma vez do sono leve;
Hoje o amor está liberto,
Condicionalmente livre,
Cronologicamente solto -
Tal qual é, ou deveria ser...
Mas, domesticado, contado, padronizado
No tempo... Calculado!
Corre o mundo em um só dia
E despenca outra vez no sono, leve...
Tal qual não é, ou não deveria ser -
No tempo!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Relógios, Suiços

Olhou o relógio que marcava, preciso:
Tantas horas.
Era tarde - o homem estava atrasado.

Defeito?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

TDAH

Todas as portas que me ligam ao resto da casa estão fechadas
e eu tento ler no meu quarto.

Meu pai abre a primeira porta:
a tv do seu quarto me leva a realidade sonora
de algum lançamento no Cabo Canaveral.
A segunda porta é aberta:
a tv da sala amigavelmente me oferece 12x sem juros.

Todas as páginas que me ligam ao resto do livro estão abertas
e eu tento fazer compras no Cabo Canaveral.

domingo, 29 de novembro de 2009

Economia do Paraná

Ela estava lendo sobre a economia do Paraná e derrepente, aquilo.
Não estava no mapa, não tinha importância nacional -
alias, que importância tinha?

-Aquilo era um poema?
-Sim! Ele queria invadi-la, certamente.
-Quem? A economia do Paraná?
-Não, alguém que ele conheceu recentemente.
-E conseguiu?
-Não! Acabou mesmo invadindo a economia do Paraná.
-Com um poema?
-Não... digo, sim! Mais exatamente com o ''derrepente''.
-Então ele é agora o quinto em importância nacional?
-Não sei ao certo, mas ela deve saber.

Ela voltou a ler sobre a economia do Paraná.

sábado, 28 de novembro de 2009

deterioração conjugal

atraidos.. traidos.. idos

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O ser em si

No guarda-roupa vários braços e faces e tipos de pele.
Pares de olhos jogados na penteadeira.
Pelo chão espalhados, uma infinidade de pés.
Na geladeira, personalidades líquidas em vários sabores.

Amarrotado, rasgado, ferido e sem gás - o ser em si.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Maria Ignês, Minha Avó

minha avó estava morta e os semáforos estavam indiferentes.
corríamos, porque é isso que quem é vivo faz:
corre atrás de coisas e papéis.
porque é preciso registrar-se quando se nasce,
se não, não se nasceu.
e é preciso certidão de óbito quando se morre,
se não... bem, minha avó estava morta -
e os semáforos estavam indiferentes.

entre vermelhos e verdes que os carros respeitavam,
seguiam pensamentos infratores, irresponsáveis, embriagados.
"verde! ela nasceu...
amarelo! envelheceu...
vermelho! ela... ela seguiu, e nós ficamos."

ficamos e a perdemos de vista.
continuaremos a ficar e seguir conforme manda a ordem do mundo vivo.
mas minha avó está agora morta e indiferente aos semáforos.
infratora! irresponsável! embriagada!

sábado, 7 de novembro de 2009

sou sem ser

estou cansado, e mal comecei-
imagine se nasci pra ser coisa alguma.
esses pensamentos, por exemplo,
quatro linhas arrastaram-se
e já faço um sobre-humano esforço, quero parar;
parar por aqui, sem conclusão -
por que haveria eu de concluir?
um planejamento, começo, meio, fim;
um jogo que se quer vencer.
mas estou cansado!
assim como álvaro de campos,
o que há em mim sobretudo é cansaço,
porém, muito mais, pois sou sem sê-lo.
inconclusivo, um ser sem sentido
que passou pela estrada olhando estrelas
e quando amanheceu o dia
viu-se perdido - e sozinho - até de si.
mas fazem questão que eu seja, querem me ver sendo,
não o que não sou (e sou portanto), o que são;
e eu sendo sem sê-los é que faz o que sou não ser,
e estar sozinho num almoço em família.

ah! sim, o dinheiro, a crise, a inflação,
o tempo, deus meu, o tempo!
e eu aqui sem ser;
e o mundo todo sendo...
mas estou cansado, e mal comecei.
serei, tarda mas serei...
é uma pena.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Chaplin Moderno

''A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.''

Disse Chaplin, certa vez; antes dos carros de som e todos os tipos de ataques massivos (tão massivos) de propaganda nas ruas, e casas, e sonhos.

Diria então, hoje:

''A vida é um merchan, um comercial sem fim. Compre logo a sua antes que acabe.''

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Mundo

Inventaram!
Depois disseram que nós nada sabemos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Mais do Nada

É tanto o vazio
Que se eu gritar um verso
Ecoa.
E ecoa tanto
Que se eu gritar vazio
É verso

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

(In)Perfeito II

Perfeição não tem fome, hormônios,
Pecados ou malícias.
Perfeição é linda! - ouvi dizer.

Vive por ai a tocar as campainhas das almas
E a fugir pelas primeiras esquinas.
Deixa sempre seu inconfundível rastro
Que o mundo todo segue...
Mas ninguém encontra.

(In)Perfeito

Gritou a moral pela terra
A criança maluca,
Com suas invisíveis fantasias,
E se escondeu atrás do pai.

-Fique tranquila Perfeição,
protegê-la-ei!

-Hei, tudo bem!
Mas existem humanos
morando aqui ainda, viu?
Mais respeito!
Falem baixo por favor!

...

Obrigado!

domingo, 18 de outubro de 2009

Vão

Guardo tempo
Junto horas
E qualquer crise
Qualquer golpe
Leva tudo a nada

Luz de Vela

Tristeza que anseia luz
Incendeia meu coração
Que queima aos poucos
Qualquer lembrança -
Infindo combustível;
Escorrem mágoas
Por entre versos e o sono vem,
Assopra e apago.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sublime Arraigado

Que delicioso vento
Batia-me à face e eu
Em pleno voo
A desdenhar do chão...

-Queda!

Me acolheu ainda assim
Com os braços abertos.

Uploadeando Brisa

Janelas de vidro fechadas
No topo do mundo
Onde brisa nenhuma transpassa.
Que quero eu da vida assim
Em gigabites, zero-uns de coisas?

Quero toque, contato, presença...
O resto é conversa.

Terremoto previsto

Prédios antigos
Que já não servem para nada -
Caros de mais para restauração,
Inviáveis, infundados.
Casas interditadas
Por faixas amarelas
Sempre sendo investigadas.

Sim, ela é um terremoto previsto
E eu uma cidade que aguarda,
Temerosamente satisfeito.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Progresso

23 anos poupados
não valem nenhuma importância.
Dinheiro, garrafas e tele-senas velhas valem mais.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Ensaio sobre naufrágio

É onda pouca que quebra sobre meus pés
Ali na areia à beira-mar
Em cada vinda e ida sutil a afundar-me
Leva o chão mas não a mim

No fundo quer-me

fuga

mais ela nada

quanto

mais

profundo

for

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Olha o passarinho

Se saíssem balas pelas câmeras
e fotos pelas armas,
mudasse a forma mas
o fim continuasse o mesmo;
FlasH - a morte sorriria;
passarela seria trincheira
.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Conto de farsas


E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE*


*imagem meramente ilustrativa

in.de.pen.dên.cia

1 Estado ou qualidade de ser livre, de não depender de ninguém
2 Qualidade do que tem autonomia política
3 Meios de fortuna bastantes que permitem a uma pessoa viver independentemente.

Viva a independência!! Digo...

Qual?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

subjuntivo

quanto mais demora

mais o agora é

e agora?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

exibição

demora

demonstração de hora

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

commodus urbānus

espécie com modos urbanos

não há nada mais cômodo:
o ser cômodo
multiplicando cômodos

aumenta a

c..........a..........s..........a

diminuiomundo
(incômodo)


Verídico

Se enforcou num pé de verdade

Morreu de fato

Lembre-se

não esqueça
nunca
eu esqueço
sempre

"História e Arte nos Muros Públicos"

Com'um presente
O passado brilha no céu
E nos muros

...

Eis o temporal
Desanuviemos a vista
E sejamos regados

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Se

E se o outono mandasse entregar as folhas pelo correio,
O sol deixasse recado ou o vento passasse mais tarde,
Sempre com coisas mais importantes a vista e cada vez mais
E mais e sempre mais?

E se o inverno migrasse para a primavera,
A luz iluminasse somente o que também é luz
Fazendo da sombra inimiga mortal
E cada coisa em si fosse além, rumo ao mais e sempre mais?

O que quer ser não é.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

...

Quem faz um projeto de vida
É um objeto a discorrer por ai
Sempre atrasado para a morte.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

De ver-te e ver-me e só

Ver, de ver-te mesmo,
Duas vezes só
E só todas as outras;
E quantas outras e outras
De ver-te tanto
Acabei por mais querer!?
E depois?
Pois...
Explico-me pois assim
De ver-me tentando
Descobrir coisas humanas
Eu rio e cesso;
Agora ver de ver-te mesmo
E ver-me, já nem sei...
Vejo e só.

Intérpretes Seus

... a verdade é que dormi com a janela aberta
e os primeiros e mais belos raios do dia
despertaram-me;
como passaram por ai pouco antes de aqui chegarem,
entraram pelo meu quarto gritando
a claridade linda do que viram;
por um momento breve, confuso,
achei que fosse você em pessoa quem me despertava -
que bobagem...
morrem os raios pouco a pouco
e faz-se a noite lentamente;
eles sempre serão meros intérpretes
da sua beleza infiníta.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Futebol

Viver, o que é ao certo, não sei;
mas tem algo a ver com coordenação motora e movimento.

sábado, 1 de agosto de 2009

Sorriso

Mais que o sol que brilha quando pode, esse teu sorriso que o faz quando bem quer.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pensamentos filosóficamente particulares

Quando tudo anda em sintonia, nem a vida
se percebe.
Se batem a porta do meu quarto
no mesmo ritmo em que a música que alta toca,
não os ouço.
Se descompassam as batidas,
mesmo que fracas, evidenciam-se.

É melhor viver seguindo ondas perfeitas
até esquecer que se navega
ou melhor é torcer para que batam a porta
um descompasso (proposital ou errante)
e nos evidenciem a vida?

Quando seguimos apenas em sintonia,
sempre cabe um vazio inexplicavel a inflamar o peito.
Quando o descompasso é grande
e a vida se torna nua e clara aos olhos, tanto que de mais,
a morte sorri como alternativa -
não sabemos lidar com a vida em evidência máxima,
nossos sentidos não suportam.

Ao que pretende ultrapassar os navios e o próprio mar,
alçar vôo, quebrar o padrão das ondas e até transcende-las
- quanto risco corre esse, mas entretanto, quanta vida lhe corre.
Ao que segue apenas, forçosamente ou sem se dar conta,
a cega sintonia, o único risco que corre é o da linha do tempo - corre-lhe a vida.

Humanismo

...
-Que Deus lhe pague e de em dobro, disse gentilmente o vagabundo.

domingo, 26 de julho de 2009

Lei de talião

Colheria flores em casas alheias,
roubaria poemas de vários poetas
e daria-lhe, mas seria justo?

Justo...

Você roubou meu coração
e isso é justo?
Precipitou-se em leva-lo
antes mesmo que eu sugerisse uma troca.
Levou...
Meu sangue agora corre
sem sentido algum,
segue inseguro.
Meu último grito é por justiça:
olho por olho, dente por dente
e coração por coração.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Espetáculo e Platéia

Era tanta a solidão que um Grilo e sua apresentação sonora,
a princípio, me pareceu companhia agradável;
Mas todo mundo já conhece a repetida história que Ele canta.
Praga maldita!
Dedetizei a mente e o espetáculo cessou.

Solidão até que era,
Mas que importa?
Antes isso que um efêmero deletério repetitivo
A me desgastar o tempo
E o sossego;
Uma companhia que me tira a minha própria.
Andei me notando
E só pude quando me vi mais que um ser só,
Mais que um, só,
Me vi mais...
Agora eu sou espetáculo e platéia;
Sou, somos e todo o mais é a mais.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Infância desenfreada

Na beira da estrada que cortava a cidade
Brincavam as crianças.
As placas alertavam os devidos cuidados a tomar:
Devagar! Atenção! Obstáculos!

Mas não eram para a infância
(que ali corria mais que tudo em sua estrada sem volta),
Eram só para os carros
E somente eles é que passaram mais serenos.

domingo, 5 de julho de 2009

Conclusões de Domingo

Que diria eu se me perguntassem hoje
o que é a vida terrena ?

-É uma mera parada para comer, comer, comer...
um pitstop do "existir", daquilo que era
pra'quilo que há de vir.

...

Manter próximos aqueles que de nada servem
Só por mero parâmetro de controle.

Observar a cobra da ignorância que se auto devora
Por não saber diferenciar o próprio rabo do alheio.

E por ai vai...

Dostoiévski avesso

Quanto menos aprecio uma pessoa em particular, mais gosto da humanidade em geral.

domingo, 28 de junho de 2009

Coma

A vida não quer-me
E tampouco me quer a morte;
Me impele aquela à esta,
Que me repele;
E eu aqui a ama-las.
Uma carrega a esperança esgotada
E a outra a desconhecida;
Uma cansa de tantas voltas que dá...
Da outra volta não há.
Por que nenhuma sobressai-se?
Se morresse a vida
Restaria-me a morte para amar -
Mas continuaria meu amor o mesmo
Diante da mudança?
Se vivesse a morte...
Morreria o sentido das coisas.
E eu aqui...

Besta poliedro

Não era da espécie das bestas quadradas, era um poliedro
E cada face sua era tão ignorante quanto a outra.

sábado, 27 de junho de 2009

...

É terno aquilo que vestem os mortos?

Desordem

Acordei.
Caminhei movimentando o ar pelo caminho.
Abri o armário do banheiro, peguei escova e pasta
e desfiz-me do hálito natural.
Fui a cozinha, tirei o pote de café do seu devido lugar, abri-o
e com a colher retirei quanto me era necessário.
Esquentei a água - por deus, quanta desordem eu já causava
ao início do meu dia.
No fim das contas era o café devidamente pronto
e as coisas postas novamente em seus lugares -
mas nada mais como era antes.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Em branco

Olha...
esquece, que nada compensa ser dito
pois passa e depois
vira um espaço vazio a mais.
Tudo que é feito,
tudo quanto é pessoa, tudo que cria raízes,
nada é real e passa, sempre passa
e aumenta o deserto que fica, sempre fica.

Não, não me diga nada também,
não quero ser parte do seu auditório
ouvindo suas músicas e vendo a performance -
você canta e dança de uma forma exclusivamente sua;
porque diabos enganaria-se crendo que eu concordo
ou eu enganaria-me crendo que entendo?
Olha que tudo isso só aumenta o deserto - que é fato.

domingo, 21 de junho de 2009

Solidão

Sozinho, o dia todo,
Sem outra pessoa que não eu
E sem outra voz que não fosse a consciência
Que logo pela manha me despertou
Gritando a solidão evidente;
E ecoou o dia todo...
E seguiu infinito adentro
Me deixando também.

domingo, 14 de junho de 2009

A toa

Quantos decibéis foram necessários para outorgar
evidência a noite de festa que se passou?
Quantos olhos alheios promoveram a claridade
e a força motriz de todos os seus atos?
Quanta propaganda de si você fez
mesmo sem ter se dado conta?
Quanta conta! Quanto foi a conta?
Mas foi boa, certamente a noite foi... foi!
E agora?
O silêncio te perturba e grita por dentro;
Só você ouve-o, ou não ouve.
Não sabe estar só, heim?!
Só ninguém atua, não?
No máximo um ensaio... mas o que é um ensaio
Para quem se acha uma estrela magnifica?
O que é ser estrela em um quarto, só, numa noite de domingo?
Para que serve?
Para nada.

domingo, 7 de junho de 2009

Natural

-Sinta a mente.

-Heim?

-Minta a mente!

-Ah!

Quando morreu um homem mau

Morreu coitado, era tão bom.

E ao afirmar isso, abriram-se as portas do céu ao que vivia,
e ao que jazia fecharam-se as portas
do único passado que ele teve de fato.
Agora estava completa a deterioração de toda sua existência.

domingo, 31 de maio de 2009

Validade

Hoje estou vencendo;
Amanha... vencido.

sábado, 30 de maio de 2009

Transbordar

Um copo que transborda é água que se perde.
Um mar que transborda é mar a mais.

domingo, 24 de maio de 2009

Palavras

Engoliu as palavras, tantas;
tentou vomita-las antes que a digestão se fizesse;
tarde de mais,
corriam no seu sangue agora.

Cuidado

Cuidado que a culpa,
Que a culpa te pega,
E pega daqui,
E pega de lá.

sábado, 23 de maio de 2009

Homem ao mar

Mil
vezes
que
eu
me
afogue
na
solidão
de
águas
profundas

Que em tuas águas razas.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Enquanto isso, na galeria...

Há uma galeria expondo os quadros -
pessoas e amores criados, cenas
de um mundo perfeito, estático.

-Mas ei! olha o movimento das cores!
-Que coisa mais estranha!
-Que formas absurdas!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

...

... pois a cabeça humana devia era vir com uma seta escrita: este lado para cima.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Verdade Exata

Navegava por um mar de certos fatos;
era eu um capitão influenciado pelas circunstâncias.
Mudasse o mar, fosse as ondas outras que não aquelas,
fosse o barco diferente... os caminhos seriam outros,
as imagens seriam outras, tudo mudaria,
inclusive as verdades e mentiras existentes.
Naufraguei no trecho exato da única verdade exata.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Visões e Vizinhos

...é muito fácil, e mais, é prático dissertar
sobre força por detrás de uma muralha;
mais fácil ainda é ter opinião totalmente
contrária com a muralha posta a baixo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

História

Queria mesmo é que minha
carne fosse barro, pois assim, meu
coração fossilizado não seria mais
que uma peça física
de um passado distante;

exposto, quem sabe, se encontrado
por debaixo da poeira,
a tantos outros que batem ainda;
e os fatos que os levariam a dizer
sei lá o que ou qualquer coisa que se diga
sobre tudo que fui e o que fiz...
Que importa?

Eu, meu coração e tudo mais
FOSSILIZADO.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Cepticismo

Cada um tem sua hora!
Cada coisa, seu lugar!
Mas o tempo de ir embora
E quanto vento irá soprar,
Quem é que sabe? Me diz!

Surpreende-o a morte desavisada?
A tão comum, tão presente morte,
Que se confunde por entre o azar e a sorte
E nunca passa por si somente - morte, calada?

Surpreende-o ainda a mente não evoluída?
O sangue derramado, a fome concentrada,
A briga, a ferida, a carne penetrada
Por projéteis anti-vida?

O tempo de ir embora?
O vento que soprará, amanha ou mesmo agora?
Defina-me então, de-me seu palpite!
Faça-o, para que eu não acredite.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sonhar Grande

Hoje, um empréstimo ao FMI. Amanha, somente olhos claros. Depois de amanha, crise mundial por culpa nossa.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Egocentric Child

Não coma um Big Mac, não beba Coca-Cola...
...mas a crise você vai ter que engolir.

Professia

Sentados à mesa, luz de velas, vinho tinto suave, duas taças, eu e ela:
-Uma de vocês irá me trair, disse eu.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Balanço de valores

Me traía na cama que eu comprei;

Ser II

Não estava se sentindo muito bem, pensou em ir benzer-se... e foi mesmo.
Não havia olho gordo, não havia inveja, enfim, nenhuma sentimento alheio que pudesse atormenta-lo...

piorou.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cansaço

Em meio a esse grito não uníssono do mundo, calar-se e não ouvir;
Em meio a essas cores e formas que se misturam, esconder-se e não ver;
Em meio a tantos sabores e superfícies, sublimar-se e não sentir;
Em meio a tudo que vive, mostra-se e comunica-se, morrer.

Conjugalização

Eu amava.
Tu... me parecia...
Eles quem é que sabe?
...

Eu amava.
Tu... amavas?
Eles parece que sim.

...

Eu amava?
Tu? Duvido!
Eles eu já nem vejo mais.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Unitários

Mesmo que eu escreva para analfabetos que lêem...
Mesmo que eu durma ao teu lado, do meu lado
Ou não, que tenha a cama inteira só pra mim.
Mesmo que me doa essa solidão
Eu sei que tudo é solidão,
Pois mesmo que chorares comigo
Serão as tuas e as minhas lágrimas;
Mesmo que eu morra, a vida continuará;
Mesmo que morrêssemos juntos,
Ainda sim, cada um teria partido só.

Sutura

Barra mesmo é enfrentar traições,
pois o coração que ama e ainda bate
impulsiona o sangue contaminado
que aos poucos coagula-se,
disfarçando feridas grandes de mais
e que sempre doerão...

...ao menos que os pontos sejam dados.

domingo, 15 de março de 2009

Dispensar

Como pode desistir assim
E abandonar o amor que tanto dizia ter
Pelo simples motivo de não ceder
A vitória da guerra que armou contra mim?

Engraçado como luta com unhas e dentes
Por pequenos fatos e coisas vazias,
Mas segue, vai em frente,
Sem lutar pelo amor que dizia.

Cansei meu bem,
Dessa forma eu não luto mais;
Quero um amor que você não tem:
Um que lute, mas lute em paz!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Romance

Quis tudo belo, colorido, fantástico; o amor dos poemas, dos romances, das novelas...


...virou escritor.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Karma

Passe a diante. =]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Variância

E se por ventura o dia eu cantasse,
Tão lindo era o dia,
Que o cantar dos meus versos seria
Como se eu o amasse?
Mas amar, o que é amar?
Como posso eu, assim,
Tão facilmente acreditar
Que o dia seja para mim
(E somente para mim seja o dia),
Mais que tudo no mundo,
Toda a causa da minha alegria?

Oh! dia, antes que a noite caia
Quero que saiba...
Não, melhor que não saiba!
Saber-te das coisas te faz menos dia.
Brilhe somente, que a noite já vem
E antes que renasça,
Terei a amado também!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Anexos do tédio

Nada como um dia após o outro... Nada, como um dia após o outro.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ser

Engoliu-me; sugou descontroladamente
tudo quanto pode e das minhas sobras livrou-se;
excretou-as num vaso de louça
e desceu-as por entre canos escuros.
No fim não era nada além de minúsculos pedaços
de mim que ainda ofereciam e eram vida.
E ela era o que mesmo?

Juras inseguras



As palavras que me diz são as mesmas que dizia
a outras pessoas, sem nenhuma diferença;
o tempo é outro, eu sei, mas
amanha também será;
por mais que eu
saiba o que,
não sei a
quem
você
dirá.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Inflação

Se houvesse o câmbio dos verbos,
Quanto valeria o amor que dizes ter por mim?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Somente tantas

Funda a mente
E ao fundo outro fundo,
Espelhos frente a frente
De costas pro mundo.

Pensa que pensa
E de tanto pensar
Da pequena faz imensa,
Faz ouvir o calar.

Sabe que gira,
Sabe de nada.
Qualquer coisa mira,

Gosta da estrada
Em reta que vira.
Sabe deus pra onde irá.

Enfim

Nascer ignorante sem se saber como tal.
Crescer ignorante, ficando esperta.
Envelhecer ignorante, convicta afinal.
Morrer sabiamente, todo mundo acerta.

Vivendo triste para o breve

Num mundo que por si só é um barulhento papel em branco, cismei em querer ser pintor, poeta...
De pequeno já pessimista inconsciente, desenhava uma estrada de difícil acesso, toda cheia de curvas, que dava numa casa minúscula com chaminé.
Não havia chegado energia ainda, talvez nunca chegasse, não havia coordenadas que localizassem aquele lugar no planeta, não havia telefone, nem vizinhos, plantações, saneamento, fonte de água...
No chão eu, magro, muito magro (também pudera). Nada em mente, nada em mim, verticalmente breve.
No céu o sol que ria despreocupado; urubus voavam, eram os únicos sábios ali.

Musical em um só ato

De velha e entediada da vida, assobiava por entre solavancos a carriola carregada de sentimentos que no vai e vem do trajeto ainda não tinham se perdido.

Portas antigas, cansadas do seu abrir e fechar, cantando em forma de ranger a horripilante realidade que grita: tudo passa, menos a porta que fica e é passada, e é passado.

Passei por todas elas carregando o que havia; e mesmo de longe se ouvia o meu sapatear, pra lá, pra cá.

Assim seguia toda essa sinfonia, até que um dia, os sentimentos se perderam até o fim e acabaram, tudo calou-se, fecharam-se as portas, encostei a carriola e me deitei pra nunca mais.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Previsões

Pobre blog,
Pobre blog triste,
O que será de você agora
Sabendo que o amor dela ainda existe?
Acostume-se de novo
A felicidade que te espera,
Já não negro como antes,
Toda branca a nova era.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Para ser além

Escrevo e quando posso, digo.
Ao morrer viverei ainda assim em cada um que com palavras eu pude tocar, sob qualquer forma de sentimento que ainda existir.

Meu caro

Dos que surpreendem, ali você, meu caro.
Amigos estranhos, diferentes e tão parecidos, amigos acima de erros corriqueiros e normais, amigos acima de qualquer distancia física ou psicológica, amigos.
Dos que surpreendem, ali você, meu caro.
Dos que caminham, não param e não tarda, vencem;
Dos que fazem muita gente engolir palavras, ofensas e que assim permanecerá.
Você, meu caro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O poeta e o planeta

Dizia eu:

-É como se eu fosse um planeta e em mim vivesse um pequeno poeta.

Fala o planeta por entre raios e trovoadas, grita!!
Amansa, sossega e canta a brisa leve por entre as árvores.
Deitado, debaixo de um pé cheio de folhas, chora baixo o poetinha se indagando como pode o mundo ser assim tão imprevisível.

Dizia ele:

-É como se eu fosse um poeta
Que vive num mundo hostil,
Fosse outra coisa, não fosse poeta,
Já teria eu morrido de fome ou de frio.
Por aqui é assim, se inventa
Tudo que se pode e que não é.
Por nada ser inventei tudo menos o nome,
Desde sempre o mesmo, André.
Gira em torno de não sei que eixo,
Também não sei quantos são seus rios,
Ainda novos todos eles,
Ainda um tanto quanto vazios.

Dizia eu:

-Ah!, pobre poeta,
Quantas lágrimas suas ainda irão rolar
Para que me encha os secos rios?
Quantos risos ainda ira ter que forçar
Para vencer todos os meus desafios?