sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Estrelas

Daquilo que se passa por detrás do meu pensar,
Enquanto o riso ilumina tudo quanto é escuridão
Me carregando para longe de qualquer ruim situação
E ocultando tudo quanto é coisa para me maltratar;

Ali você, seu vulto vil num canto escuro a sorrir,
Tal qual estrela distante que talvez nem mais exista,
Lança em mim os seus antigos negros raios sem luzir,
Vem me apagando todo riso e gritando: -Vai, desista!

-Não, chega, estou farto de desistir!
Nada pode ser pior que continuar a fugir!

Fui então de encontro a ela
E quanto mais me aproximava,
Percebia que nada era tanto
Como de longe se via.
De perto a estrela já não mais brilhava,
E eu ria, sorria, só ria.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O problema em amar está no verbo ser intransitivo... e o sentimento... não!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Confusão

Penso eu na tristeza da solidão, no amor das pessoas, na alegria dos dias coloridos e nas moléculas que formam pedras e cerebelos. Tanta coisa me passa, e eis que me vem o tempo, e eis que me vem saudade, e tanta coisa me vem... de onde vem? Por que é que vem?

Olhamos árvores, pedras, animais, religiões, enfim, olhamos o universo inteiro e queremos que tudo nele funcione como funcionamos nós.

Definimos tudo, e tudo tem que ter um sentido e uma razão; tanto fizemos pra definir tudo quanto é coisa e dar razão e sentido em tudo que só devia existir e ponto, que vivemos nesse sem-saber-porque, sem-saber-de-onde.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Lançador

Me vem o amor que sinto e certamente saberás.

Sentes o mesmo, ainda ou mais, e a alegria tomara conta de todo meu ser, e ele, inundado pela alegria, desesperadamente te puxará comigo pro fundo e afogar-te-a.

Não sentes o mesmo, ainda ou mais, e certamente que a tristeza me invadirá por todos os lados e eu ficarei ilhado, jogando garrafas e papiros e palavras ao mar.

O meu blog é negro; negro como esse mar de tristeza.
Minhas palavras são brancas; brancas como a esperança que fica cada vez que se lança uma garrafa e um papiro ao mar.
Quem encontrará?
Nunca se sabe.
Quem entenderá?
Talves ninguém.
E ao fim, quando o mar de tristeza não for mais que um mar de garrafas e papiros e palavras, irei eu desvairadamente me indagar:
-Quem os lançou todos?
E não saberei me responder.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Que nada seja breve!

O ano novo mais um vez aproxima-se;
aproxima-se gritando que o passado é mais forte, que o tempo não para e é breve.
Breve mesmo?
No dia 31, ao inicio do soar das doze badaladas que separam os anos, foi lá que você parou pra olhar a vida e o que te veio foi passado, e o que te veio foi lembrança... E o que te vinha? O que te vinha?
Nesse meio confuso de sentimentos abstratos (esperanças, planejamentos, lembranças e mais lembranças), foi ai que você resolveu enfim parar pra observar a vida; num instante só te veio aos olhos tudo quanto foi possível vir aos olhos, e eles, fechados até então, confundiram-se, confundiram-no.
Breve!
Se há um bom planejamento ao ano que surje, se há um bom pedido, é que os olhos estejam sempre abertos e que nada seja breve. Nada!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Eu, eu mesmo e sabe-se lá quem mais

Penso: -Como posso viver tendo esse coração que pesa o que a maturidade não pode sustentar?

Escrevo: -Que me importa a maturidade tendo em vista o meu amar eterno amar?

Lêem: -Que me importa?
Era um daqueles finais de tarde onde o sol brilha num canto e a chuva cai de mansinho no outro. A enxurrada que descia, descia simplesmente.
Fiz meu barco com uma folha de caderno e joguei-o:
-Vá, avise ao sol que logo eu chego, não tardo. Aqui a chuva me agrada (mesmo?).
E foi o barco, descendo rua abaixo com suas linhas laterais azuis, suas rebarbas de folha arrancada, descendo apressado, descendo, descendo, rápido de mais... afundou.


Era uma daquelas madrugadas escuras mas o sol brilharia dentro de poucas horas. A vida corria e corria simplesmente.
Formulei meus pensamentos com a pouca experiência que tenho e vaguei por entre eles:
-Estou triste ou feliz? Já nem sei.
E continuaram mesmo assim, todos eles, madrugada adentro, com seus traços arcaicos e futuristas, correndo apressados, fluindo, fluindo cada vez mais fortes e intensos, tanto que de mais... dormi.