domingo, 29 de novembro de 2009

Economia do Paraná

Ela estava lendo sobre a economia do Paraná e derrepente, aquilo.
Não estava no mapa, não tinha importância nacional -
alias, que importância tinha?

-Aquilo era um poema?
-Sim! Ele queria invadi-la, certamente.
-Quem? A economia do Paraná?
-Não, alguém que ele conheceu recentemente.
-E conseguiu?
-Não! Acabou mesmo invadindo a economia do Paraná.
-Com um poema?
-Não... digo, sim! Mais exatamente com o ''derrepente''.
-Então ele é agora o quinto em importância nacional?
-Não sei ao certo, mas ela deve saber.

Ela voltou a ler sobre a economia do Paraná.

sábado, 28 de novembro de 2009

deterioração conjugal

atraidos.. traidos.. idos

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O ser em si

No guarda-roupa vários braços e faces e tipos de pele.
Pares de olhos jogados na penteadeira.
Pelo chão espalhados, uma infinidade de pés.
Na geladeira, personalidades líquidas em vários sabores.

Amarrotado, rasgado, ferido e sem gás - o ser em si.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Maria Ignês, Minha Avó

minha avó estava morta e os semáforos estavam indiferentes.
corríamos, porque é isso que quem é vivo faz:
corre atrás de coisas e papéis.
porque é preciso registrar-se quando se nasce,
se não, não se nasceu.
e é preciso certidão de óbito quando se morre,
se não... bem, minha avó estava morta -
e os semáforos estavam indiferentes.

entre vermelhos e verdes que os carros respeitavam,
seguiam pensamentos infratores, irresponsáveis, embriagados.
"verde! ela nasceu...
amarelo! envelheceu...
vermelho! ela... ela seguiu, e nós ficamos."

ficamos e a perdemos de vista.
continuaremos a ficar e seguir conforme manda a ordem do mundo vivo.
mas minha avó está agora morta e indiferente aos semáforos.
infratora! irresponsável! embriagada!

sábado, 7 de novembro de 2009

sou sem ser

estou cansado, e mal comecei-
imagine se nasci pra ser coisa alguma.
esses pensamentos, por exemplo,
quatro linhas arrastaram-se
e já faço um sobre-humano esforço, quero parar;
parar por aqui, sem conclusão -
por que haveria eu de concluir?
um planejamento, começo, meio, fim;
um jogo que se quer vencer.
mas estou cansado!
assim como álvaro de campos,
o que há em mim sobretudo é cansaço,
porém, muito mais, pois sou sem sê-lo.
inconclusivo, um ser sem sentido
que passou pela estrada olhando estrelas
e quando amanheceu o dia
viu-se perdido - e sozinho - até de si.
mas fazem questão que eu seja, querem me ver sendo,
não o que não sou (e sou portanto), o que são;
e eu sendo sem sê-los é que faz o que sou não ser,
e estar sozinho num almoço em família.

ah! sim, o dinheiro, a crise, a inflação,
o tempo, deus meu, o tempo!
e eu aqui sem ser;
e o mundo todo sendo...
mas estou cansado, e mal comecei.
serei, tarda mas serei...
é uma pena.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Chaplin Moderno

''A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.''

Disse Chaplin, certa vez; antes dos carros de som e todos os tipos de ataques massivos (tão massivos) de propaganda nas ruas, e casas, e sonhos.

Diria então, hoje:

''A vida é um merchan, um comercial sem fim. Compre logo a sua antes que acabe.''