sábado, 13 de agosto de 2011

Psicopatia Climática

Frio,
como se o vento carregasse consigo
mágoas polares;
lívido, reacionário,
correndo pela superfície das coisas.

Psicopatia climática.

Sem Bula

Em frascos diversos,
- auto-prescritos -
gotas diluem-se nos rostos 
e a dor passa.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sabor

Dispendi miséria de tempo para fazer o que há de melhor em mim
E tempo de mais para fazer o que sobra, aos montes e montes - e já não me cabem.
Ainda por cima, e sei lá porque, afixei uma bandeira no topo
disso tudo, destacando a conquista do nada, do nulo.

Aterrem-me!

Prepotência, a minha, também, dizer que dispendi tempo algum a algo, como se fosse meu o tempo, como se tivesse sob meu domínio de  maneira física e eu pudesse usá-lo em pitadas que temperassem as coisas. Pretensão, hiper-pretensão.

E o agora, já hipertenso de tantas pitadas de tempo mal gastas - pitadas fictícias de tempo - em tanta coisa sem sabor, que só me afinaram os instântes e me causam enorme mal-estar...
E o agora é isso tudo que parece.

Mas é tanta ficção, tanta imagem, tanta imaginação - devo estar morto.

Enterrem-me!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Alérgico do mundo

-Tudo me irrita.
Sou alérgico do mundo todo.
Meu pensamento coça, coça, arde...

Espirro com os dedos.

Não, não são lágrimas - sou alérgico do mundo todo, já disse.
-Tudo me irrita!

domingo, 17 de abril de 2011

Agora

Nenhum bolo, nenhuma vela acesa.
Cantei o silêncio e assoprei o nada
sem fazer pedido algum.
Eu fazia instantes e estava só.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O eu e o outro

Encha a terceira pessoa de si
de efeitos especiais e conte-se
o quanto é bom.

Deixe no fundo - sempre lá no fundo -
essa inveja de não ser o que se é.