segunda-feira, 21 de julho de 2008

Habeas corpus

Sabe-se la o que há ao longe,
Assim como me veio você um dia,
Assim como me foi você embora,
Sabe-se la qual é o tempo que demora...
Livre, enquanto o que e por quanto?

Mas livrai-nos do mal

O tempo, máquina alimentada pelo presente,
Por tudo que é psicológico e belo,
Regurgita em minhas memórias,
E ali, em meio a tudo, você mal mastigada.
Olho os teus pedaços -
Por quantas vezes tentei junta-los?
Você não quis.
Quem vai culpa-la?
Não, eu não.
Os vermes que tanto te repugnam
Decompõe-te aos poucos.
Mais uma cova que se abre,
Mais um túmulo
E eu, que tenho tanto medo de assombração
Rezo e rezo sem parar.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Viagem II

O que era eu ali, me dividindo no útero materno?
O que fui eu, criança inocente e sapeca?
E o adolescente inquieto, problemático?
O adulto que se desenvolve,
O velho que serei?
Física, fisiologia...
Eu?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Divagações

O que sou eu se não apenas o que eu penso ao meu respeito?
O que é você se não apenas o que eu posso recordar?
Mas ultimamente tenho pensado tanto e andado tão esquecido.

O que eu penso se não apenas aquilo que me parece ser?
O que eu recordo se não apenas o que me restou?
Mas restou tão pouco e tantas coisas tem me parecido.

O que me parece ser se não nada mais do que eu penso?
O que sobrou se não apenas vagas recordações?
Dentro da fração que é o presente, tudo é pensamento e recordação.