Quando tudo anda em sintonia, nem a vida
se percebe.
Se batem a porta do meu quarto
no mesmo ritmo em que a música que alta toca,
não os ouço.
Se descompassam as batidas,
mesmo que fracas, evidenciam-se.
É melhor viver seguindo ondas perfeitas
até esquecer que se navega
ou melhor é torcer para que batam a porta
um descompasso (proposital ou errante)
e nos evidenciem a vida?
Quando seguimos apenas em sintonia,
sempre cabe um vazio inexplicavel a inflamar o peito.
Quando o descompasso é grande
e a vida se torna nua e clara aos olhos, tanto que de mais,
a morte sorri como alternativa -
não sabemos lidar com a vida em evidência máxima,
nossos sentidos não suportam.
Ao que pretende ultrapassar os navios e o próprio mar,
alçar vôo, quebrar o padrão das ondas e até transcende-las
- quanto risco corre esse, mas entretanto, quanta vida lhe corre.
Ao que segue apenas, forçosamente ou sem se dar conta,
a cega sintonia, o único risco que corre é o da linha do tempo - corre-lhe a vida.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
Ocorre-te a vida!
Postar um comentário