Era um daqueles finais de tarde onde o sol brilha num canto e a chuva cai de mansinho no outro. A enxurrada que descia, descia simplesmente.
Fiz meu barco com uma folha de caderno e joguei-o:
-Vá, avise ao sol que logo eu chego, não tardo. Aqui a chuva me agrada (mesmo?).
E foi o barco, descendo rua abaixo com suas linhas laterais azuis, suas rebarbas de folha arrancada, descendo apressado, descendo, descendo, rápido de mais... afundou.
Era uma daquelas madrugadas escuras mas o sol brilharia dentro de poucas horas. A vida corria e corria simplesmente.
Formulei meus pensamentos com a pouca experiência que tenho e vaguei por entre eles:
-Estou triste ou feliz? Já nem sei.
E continuaram mesmo assim, todos eles, madrugada adentro, com seus traços arcaicos e futuristas, correndo apressados, fluindo, fluindo cada vez mais fortes e intensos, tanto que de mais... dormi.
domingo, 7 de dezembro de 2008
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2 comentários:
Estava à margem, observando o barquinho que afundava.
Nele via muitas partes de minha vida que também não recupero mais. Cada minuto que passara olhando o barquinho naufragar pensava em como seria minha vida se eu pudesse lutar.
Agarrar as rédeas, domando o galopar do cavalo xucro.. mas o cavalo dominamos pela inteligência, a vida não há como domar.
Lindo!!
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