quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vestígios

Vejo aqui os vestígios do que foi um dia,
As árvores cortadas e os vasos quebrados,
As flores pisadas e a fonte que jaz seca, caída, esquecida.
O mato que toma conta é a única coisa que ainda tem vida,
Mesmo eu que ali estou, nada mais sou
Que algo que jaz também,
Mais seco, mais morto e mais esquecido que a própria fonte.

Que fez com tua parte? Incendiou e mudou-se.
Agora colhe teus frutos em outro lugar.
Será teu amor um amor primitivo
Ou nada mais és que vulgar?
De que me vale indagar tanto isso ainda?
Ainda não sei... E eu?

E eu ali esquecido, que um raio me parta,
Que o fogo consuma meu corpo e me faça pó;
E quando não houver mais vestígios de mim,
Que se mude o jardim e ache outra pessoa.

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